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Uma visão comportamental

02/27/2013

Por Marcusvcn

Vou falar da minha percepção do que ocorre atualmente, numa visão comportamental, embora com pinceladas do direito como ponto de ancoragem, relacionados apenas à esfera do futebol, sem entrar em detalhes do Judiciário daqui ou de lá.

1) Quanto à punição: serve para mudar comportamentos. A função educativa é percebida quando há proporcionalidade e razoabilidade, caso contrário é discricionariedade. Bem, a punição ao Corinthians não foi proporcional, foi branda, também não foi razoável, pois não foi aplicada em mesma dose a todos, seja ao San Jose, que não teve procedimentos de segurança adequados, ou à Federação Boliviana, que não puniu o time pelo motivo exposto. Vide ainda o silêncio entre a briga de torcidas ocorrida ontem e a punição bem mais branda ao São Paulo. Então, repito, a punição foi desproporcional, pois foi branda, e foi não razoável, pois não foi tomada contra todos os agentes, sejam os envolvidos no caso atual ou em outros fatos.

2) Para que serve a punição ao Corinthians? Dou algumas hipóteses: a) forçar uma atitude drástica do nosso time, ao se sentir “injustiçado”, e evitar que as medidas mais profundas sejam tomadas por um órgão sem envergadura moral; ou b) mediante comoção, cujo peso é maior no resto da América do Sul (segundo estudos, o Brasil é visto por Bolívia e Paraguai como um país imperialista), sofreremos pela falta de capacidade de agir com justiça, por parte da Conmebol, como bodes expiatórios. E tem a c), a que acho mais próxima da realidade, abaixo identificável.

3) Quem é o Corinthians no emaranhado atual? É o time mais importante da Libertadores, seja no aspecto financeiro como no de respaldo internacional. É um time capaz de rejeitar estádios maiores para evitar dar poder ao rival, capaz de rejeitar contratos em grupo para negociar sozinho sua renda (a maior) em televisão. Se quisesse poderia influir decisivamente na própria CBF. Isso é resultado de uma visão iniciada com a diretoria anterior, da qual não tenho simpatias, mas mostrou a força latente da massa corinthiana.

4) Quem é a Conmebol? Isso sei pouco, mas para uma entidade que adquiriu conceito político e financeiro crescentes, muito em base da própria obsessão do Corinthians, time com mais influência política e financeira fora da Europa, há uma justificada sensação de desconfiança conosco.

5) Qual a consequência de uma atitude branda e injusta ao Corinthians? E aqui está a c): manter o maior cachê e ao mesmo tempo sangrá-lo ao máximo. Na arena de touros, esse morre aos poucos, senão não há espetáculo. Contudo o Corinthians não pode morrer no final, mas deve ficar em trilhos, no cabresto.

6) Percebo que a educação não é no sentido de enquadrar a torcida, seja organizada ou não (esse capítulo é à parte), mas no sentido de enquadrar o Corinthians, único time capaz de fazer frente à própria Conmebol.

7) Como agirmos? Em primeiro lugar levantar o dedo e dizer: “sou culpado”. Em segundo lugar não acredito que a relação com as torcidas organizadas será revista como deve, é como perder um rim, como faz parte de si, só mesmo para salvar a vida de alguém muito caro. Se houver inteligência, contudo, ver-se-á que o time está dando muita força a esse grupo, é necessário diluir tal força pela torcida, por exemplo com promoção de comparecimento de não filiados, por vários meios.

Em terceiro lugar bater de frente com a Conmebol, como estratégia atual é a tal da segunda fase do luto, a diretoria já não nega, age com raiva, comecará a negociar uma saída dentro de uma semana, verá que não há alternativas dentro de duas semanas e no fim do mês  de março aceitará a culpa.

Devemos passar direto para a aceitação, se estamos errados podemos juntar os cacos como em 2008 e exigir nossa eliminação do torneio atual, bem como exigir punição para todos os culpados atuais e futuros, neste caso e em outros. Aí a Conmebol estará numa sinuca de bico jamais vista e talvez possamos ter alguma mudança na organização do futebol latino americano e certamente mundial.

O Corinthians sairia fortalecido e com moral. Financeiramente perderemos, mas a longo prazo o prestígio daria o retorno, no meu ver ainda maior que atual, pois entraríamos como uma força ainda maior na América Latina.

NON DVCOR DVCO

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11 Comentários leave one →
  1. 02/28/2013 10:40

    Agradeço os comentários e a republicação do texto pelo Álvaro. Foi surpresa.

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  2. Múcio Rodolfo permalink
    02/27/2013 18:53

    Eu sigo achando que as intenções da entidade vai muito além de querer moralizar, educar, evitar que fatos como estes se repitam…..A turma do Nicolalau segue o lema malufista de que pode até estuprar desde que não mate. Pode jogar pedra, pode jogar garrafa, pode jogar capacete, pode jogar pinico, pode jogar cantor de funk….pode jogar tudo contra o adversário. Tendo sorte de não matar…..Vc foi feliz quando disse que a entidade manteve a maior atração da competição, mas o feriu de morte. Se ela excluisse pura e simplesmente o clube da competição estaria sacrificando o Gavião dos ovos de ouro. Então, o mantenha na competição sem aquilo que ele tem de mais representativo -a torcida- para que as emissoras de TV não sejam prejudicadas. A forma parcial como a questão foi tratada, esquecendo que cabe ao mandante responder pela segurança do espetáculo, a omissão diante de outros casos graves e o atual quadro do futebol brasileiro apontam para uma série de intenções. É mais ou menos como as Cruzadas na qual os envolvidos (Papa, burguesia, nobreza, camponeses) tinham todos os objetivos, mas o mais importante não era libertar a Terra Santa dos infiéis. Por outro lado, esta competição não é assim tão importante para a nossa história. O Corinthians sempre exibiu sua força mesmo sem ganhar esta josta. Agora campeão invicto, atropelando pelo hiper-mega-poderoso Manjubinha FDT do new-Pelé e batendo o temido verdugo tupiniquim o Boca Juniors colocamos a competição no seu devido lugar (o César Augusto disse muito isso no ano passado). A única vantagem que este torneio dá -além do título- é uma vaga para o Mundial. O Corinthians não vai morrer se ficar sem disputar esta porcaria. E me parece interessante um francês, um espanhol, um italiano….se indagarem “ué se o Corinthians foi o campeão do Brasil por que não está disputando a competição continental?” Ora, porque mandou o circo do Nicolalau para aquele lugar, visto que não compactuava com certas palhaçadas. O Mundo não vale a nossa grandeza.

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  3. Luis permalink
    02/27/2013 18:17

    Mudando de “Pato para Marquinhos”;

    Bem, vamos a um fato realmente importa para a vida do nosso clube:

    – para quem defende a nossa diretoria suja e corrupta segurem esta aqui:

    Segundo o Lance, o barcelona ofereceu 64 milhões de rais pelo zagueiro Marquinhos do Roma. Isso mesmo, o garoto que foi “desviado” do clube para rechear o bolso de empresários e dirigentes, deixou de render aos nossos cofres nada menos que 61 milhões (considerando a merreca de 3 milhões que o Roma pagou pelo garoto)

    Enquanto as digníssimas organizadas que recebem grana do clube para apoiar dirigentes, matam torcedores de outros clubes e se matam em absurdos confrontos, os vermes metem a mão no Corinthians… Se considerarmos que ainda por cima pagamos mais uns milhões para contratar um tal de Gil, claro com a comissão paga para empresários e dirigentes do próprio clube, chegamos facilmente a 70 milhões de prejuízo em menos de um ano.

    E a torcida, imprensa e cia ltda preocupada com punição de Conmebol, quando na verdade são todos feitos de massa de manobra de vermes travestidos de dirigentes!!!

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    • 02/28/2013 9:05

      Eu tinha lido isso num twiter estrangeiro e fiquei chocado. Essa seria das maiores cagadas de todos os tempos, por uma razão óbvia: todo mundo viu que o rapaz era diferenciado, um craque da zaga, apesar do tamanho (mas eu acho que ele ainda vai crescer mais um pouco).

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      • Luis permalink
        02/28/2013 9:17

        E isso sem falar no absurdo caso do Dodô que foi de graça para o Roma e a diretoria alegou que não renovou contrato com ele porque esqueceu que o contrato dele estava para vencer…

        Cara isso me da NOJO do clube (diretoria e conselho)

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        • Múcio Rodolfo permalink
          02/28/2013 11:08

          Sem querer defender a “deretoria”, eu vi a versão de que o clube tentou renovar o contrato do jogador, mas este orientado pelo empresário repeliu a tentativa do clube, alegando que no mesmo ele teria poucas oportunidades….São duas informações diferentes, mas….

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  4. 02/27/2013 17:55

    Muito bom o texto Marcus, discordo de alguns pontos mas não posso negar que o todo foi bem elaborado. Mas depois da liminar concedida hoje que permite a seis torcedores assistirem o jogo, agora é que pode ficar interessante. A Conmebol supostamente puniu o Corinthians, e todos os seus torcedores que compraram ingressos, pela ação estúpida de um torcedor (ou um grupo de torcedores, ainda não está 100% claro). A essa altura vocês todos já estão sentindo o “prazer” de ser xingado de assassino apenas por ser torcedor do Corinthians. E é só o que eu penso quando sou proibido de ir apoiar meu time como sempre fiz, em paz. E se eu estou sendo punido, para a Conmebol eu tenho alguma ligação com o assassinato. Claro que eu discordo disso, ainda que entenda que no nível esportivo o Corinthians deve ser punido de alguma maneira. Por isso fico contente que seis torcedores entraram na justiça brasileira questionando a ação da Conmebol. Não há como a Conmebol punir o Corinthians por isso por não haver nenhuma ação direta do clube e nenhuma ilegalidade na ação. E honestamente, se a Conmebol quiser jogar pesado, dessa vez eu como torcedor quero comprar a briga (já estou considerando seriamente fazer o pedido na justiça para os próximos jogos). Afinal, o que se deveria tentar evitar é que novas ações de violência como a que vitimou o torcedor boliviano voltem a ocorrer. Como se viu na ontem no jogo entre Velez e Peñarol, parece que a punição ao Corinthians ainda não surtiu efeito e tampouco a Conmebol pareceu se importar. Mas eu continuo punido. Com relação ao Corinthians, gostei da tua sugestão de exigir a eliminação. Mas ao mesmo tempo reconheço que devo estar agindo (e pensando) com raiva nesse momento. Vou precisar de algumas semanas para deixar essa revolta assentar e voltar a pensar com um pouco mais de serenidade. Mesmo assim quis partilhar minha opinião por aqui. Vou querer revisitar isso em algum tempo.

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    • 02/28/2013 9:10

      Eu penso assim: se a Conmenbol punir o clube por conta da liminar, então AÍ SIM estaríamos sendo vergonhosamente injustiçados e a diretoria poderia justificar o discurso de vítima que vem fazendo.

      Do lado oposto, se a Conmenbol não punir um cadinho mais, entendo que todo mundo tem direito a entrar nos próximos jogos. O que vale para um, vale para todo mundo.

      E sim, entendo que a lógica do juiz está certa, MAS advogados explicaram que ele jamais poderia dar uma LIMINAR para um caso desses pois tem um termo em LATIM que não permite.

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  5. Cris permalink
    02/27/2013 17:52

    http://blogdorafaelcastilho.blogspot.com.br/2013/02/preconceito-discriminacao-e-injustica.html

    Preconceito, discriminação e injustiça contra os Corinthianos!
    Não ha nada que possa justificar a morte do garoto boliviano na última semana.

    Ainda que não tenha sido um homicídio doloso o episódio foi verdadeiramente triste e de dano irreparável.

    Um dos acontecimentos mais tristes da história do Corinthians e também do futebol brasileiro.

    No entanto, é muito importante dizer que nada pode justificar a avalanche de manifestações preconceituosas e verdadeiramente violentas contra os torcedores do Corinthians.

    Em nome de um moralismo tardio e de uma indignação interessada, jornais e redes sociais estão recheados de acusações discriminatórias e persecutórias.

    Que a indignação e solidariedade ao garoto morto sejam manifestadas e compartilhadas isso é mais do que legítimo.

    Que se exija justiça e punição ao culpado pelo ocorrido também está dentro da normalidade.

    Mas julgar, condenar e ofender uma coletividade é injusto e descabido.

    No post anterior, expressei minha preocupação quanto ao perigoso precedente que se abre ao condenar uma determinada coletividade por conta de crimes eventualmente cometidos por um indivíduo. Hoje trata-se de um clube de futebol (com 30 milhões de pessoas), mas já foi ferramenta de perseguição de diversos povos ao longo da história das sangrentas guerras.

    A preocupação central da comunidade corinthiana, neste momento tão delicado, está muito além das punições que a equipe sofreu na Copa Libertadores da América.

    Estou certo que os torcedores do Corinthians estão menos preocupados com a eliminação na competição do que com a enxurrada de ofensas e agressões que os mosqueteiros tem sofrido de todos os lados.

    Ora, se querem excluir o Corinthians desta Copa, vão em frente!

    Mas a injustiça que estamos sofrendo, isso sim tem corroído nossos espíritos.

    Virou coisa corriqueira ver manifestações de todos os lados chamando os corinthianos de assassinos e ladrões. Sem nenhum cuidado com a generalização.

    Como se o Corinthians tivesse inventado a violência no futebol.

    Como se jamais na história do futebol tivesse havido ocorrências semelhantes.

    Como se todas as outras torcidas brasileiras fossem pacíficas e altruístas.

    Conforme escrevi no primeiro parágrafo deste post, nada pode justificar o ocorrido na Bolívia, nem o comportamento equivalente dos rivais.

    Mas se não devemos justificar o ocorrido, podemos ao menos tentar explicar o comportamento odioso e discriminatório, consequência imediata deste incidente.

    Enquanto o Corinthians era visto como “coitadinho” do futebol brasileiro, sem patrimônio, desorganizado e vítima das gozações dos adversários, as hierarquias estavam bem definidas.

    O futebol ainda nao era um negócio global e as cotas de televisão não se orientava pelo potencial de consumo dos torcedores dos clubes. O patrimônio de um clube era tão somente suas propriedades imobiliárias.

    A massa de corinthianos fieis, maloqueiros, favelados e sofredores, embora causasse incômodo no establishiment futebolístico, não representava ameaça ao status quo, pois no imaginário de alguns elitistas, estávamos subjugados.

    Mas quando o Corinthians se emancipou, apoiado justamente na afirmação de suas potencialidades e no histórico de “Time do Povo”, vencendo fora e dentro das quatro linhas, a reação migrou rapidamente do escárnio para o puro ódio irracional.

    O Corinthians incorporou a causa de todos os “males” da nossa sociedade, o que para muitos esta diretamente ligado a insubordinação de quem “deveria” estar “em baixo”.

    O ódio contra quem não tinha estádio (e agora tem), não tinha Centro de Treinamento (agora tem) ou não tinha Libertadores (agora tem), me perdoem, é muito semelhante ao ódio que existe em alguns setores da sociedade quanto aos que com muito esforço e dedicação conseguem uma melhor condição de vida e podem frequentar as universidades, comprar automóveis ou viajar de avião.

    Os que discordam da minha comparação – e isso é plenamente aceitável – me respondam então por que as manifestações contra os corinthianos são tão generalizadas, odiosas e preconceituosas? O que justifica tamanho ódio? Ou seja, por que os corinthianos seriam tão diferentes dos torcedores das outras agremiações?

    Quando o Corinthians “começou” a vencer, os estabelecidos automaticamente se sentiram mais derrotados.

    Na nossa cultura em que o conceito de hierarquia social está introjetado no imaginário das pessoas, o crescimento de quem vem debaixo, por si só representa uma ameaça de igualdade.

    A partir do momento em que os justos protestos contra a morte do garoto boliviano deixam de ser pautados pelo desejo de justiça e responsabilização do verdadeiro culpado, passando a ser manifestação de intolerância e preconceito generalizado contra uma coletividade, isso permite que duvidemos da veracidade de tal indignação.

    Parece mais com manifestações de intolerância, preconceito e discriminação.

    Da mesma forma, a prisão dos torcedores que foram apanhados aleatoriamente pela policia boliviana está muito mais orientada pelo desejo de vingança do que pelo senso de justiça. E não é isso que se espera da postura de um Estado Nação.

    Todos estão muito a vontade para condenar. Os inquisidores estão soltos.

    As motivações odiosas estão encobrindo a razão e o senso de justiça das pessoas. Ninguém se coloca no lugar dos cidadãos brasileiros que estão longe de casa pagando por um crime que não cometeram. Doze pessoas estão correndo o risco de perderem suas vidas numa cadeia boliviana.

    Caso alguém duvide da efetiva culpa do menor de idade que se apresentou à policia em Guarulhos e considerando que um dos brasileiros detidos seja o verdadeiro culpado pelo disparo (o que é improvável), outros onze estariam sendo condenados injustamente.

    Pouca gente está preocupada de verdade, o negócio é apedrejar o Corinthians!

    Quer saber, que se dane essa tal Libertadores! O que nós queremos mesmo é justiça!

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