Skip to content

Quem são os treinadores que montam equipes vistosas no Brasil?

09/22/2014

No passado o Brasil exportou o conceito do futebol-arte. Não ache que foi algo sugerido pela crítica estrangeira estupefata com a seleção de 70, foi mesmo uma autodenominação da imprensa brasileira para contrapor nosso jogo ao futebol de resultados italiano.

Autoengano ou não, o fato é que a mania de celebrar a beleza da forma de execução, em detrimento da conquista em si, é originária da crônica esportiva brasileira.

Não estou tão interessado aqui em discutir a (bela) estética da seleção de 70. O que eu quero é realçar que está dentro do DNA da crônica brasileira a necessidade de comparar cada time, cada partida, cada jogador dentro de uma escala artística (e absolutamente delirante, pois a beleza está nos olhos de quem vê. A beleza sempre será subjetiva).

Ontem foi um belo jogo para mim, talvez o melhor que vi em Itaquera, mas aquilo jamais se enquadraria dentro do conceito original de futebol arte.

É claro, não somos assim tão idiotas e sabemos identificar o jogo feio, chato, lento, violento. Invariavelmente subclasses de jogos com pouca técnica e uma boa dose de preguiça.

Na sua coluna da Folha de hoje, PVC relembra que Mano (ou mesmo Tite) não são reconhecidos por formar equipes de futebol “vistoso”. Como o torcedor não está no momento cobrando beleza, mas resultado, entendi que PVC estava cutucando parte dos cronistas que cobram muito a questão estética, mas, ao mesmo tempo, enaltecem o trabalho de treinadores (vitoriosos) como Felipão, Muricy, Tite que nunca formaram supertimes.

Até entendo que podemos marcar uma linha imaginária e estabelecer um consenso que daqui para lá são os times vistosos e do outro lado os times normais (vencedores ou não).

O problema, creio eu, nem é tanto onde fica a linha, mas sim, quantos treinadores no Brasil de fato são formadores de equipes vistosas? E, é possível se cobrar isso de um treinador?

Pegue-se o Corinthians de 2000. É possível falar que Osvaldo de Oliveira monta equipes que ganham e encantam?

Na minha experiência reconheço apenas dois treinadores que conseguiam as duas coisas em mais de uma equipe: Telê e Luxemburgo.

Aparentemente, um bom treinador, com muito trabalho e treino, é capaz de montar uma equipe vencedora, já fazê-la encantar depende mais da exacerbação do talento e isso só esses dois conseguiram em mais do que uma equipe.

E para você, quem canta e encanta no futebol?

Anúncios
9 Comentários leave one →
  1. Fabiano permalink
    09/24/2014 10:26

    O Parreira montou um Timão muito vistoso em 2002… pena que o levaram para a Seleção, pois em 2003 poderia ter nos dado prazer em ver o Timão jogar

    Curtir

  2. Alexandre Lemos permalink
    09/24/2014 8:39

    Dê-me um time como um Palmeiras de 96 ou um Corinthians de 98-2000 e verão um futebol arte, como disse o amigo lá em cima, não se faz omeletes sem ovos

    Curtir

  3. 09/23/2014 17:34

    Jogos “vistoso” hoje no Brasil só o Cruzeiro. Mas afinal o que é vistoso para vocês? Para mim é marcação dura e compacta na defesa e saída de jogo e ataque com a bola no chão. Só isso. Para mim o Corinthians fez um jogo vistoso no domingo, apesar de claras deficiências defensivas em bolas cruzadas na área. Mas de resto seguiu aproximadamente o meu “ideal” aí de cima, marcação dura e bola no chão. Não há coisa que me irrite mais do que saídas com chutões dos goleiros e busca de faltinhas para cruzar a bola na área (mais conhecido como “Muricybol” :-). Paradigma do futebol que detesto. E acrescento que não sou contra outros paradigmas do “futebol arte.” Por exemplo a tentativas quase suicida como o Brasil de 1982, perdeu mas ficou na memória. E obviamente o Brasil de 1970, com claro privilégio ao ataque. Muito legal de ver e com enorme chance de vários gols. Mas dado o avanço da preparação física isso parece impossível hoje. Por isso sou econômico nas minha exigências, a principal delas, bola no chão.

    Curtir

    • 09/23/2014 22:49

      É muito subjetivo.

      Não sei se o jogo de Domingo atende aos critérios de vistoso para o PVC.

      Para mim foi o tipo de jogo que gosto de ver. Se jogássemos sempre assim (mesmo perdendo), com certeza o estádio estaria sempre lotado e o Ibope da TV nas nuvens.

      Possivelmente, não ganharíamos o alcunha de “segundo time que dá gosto de ver”, para quem acha que o Cruzeiro é o “único time que dá gosto de ver”. 🙂

      Curtir

  4. Cesar Augusto permalink
    09/23/2014 15:23

    Belo texto.

    Essa história de futebol-arte, para variar, é mais uma bela invenção da imprensa brasileira, que não corresponde a uma análise mais detida dos fatos.

    Já tivemos 20 Copas do Mundo e o Brasil jogou um futebol, que pode ser considerado arte, em apenas 4 Copas. As Copas de 1958 e 1970, que venceu. E as Copas de 1950 e 1982, que perdeu. Nas outras 16 Copas, não houve futebol-arte.

    Há um evidente exagero quanto à arte do nosso futebol. Vejo futebol desde o fim da década de 1970, vi grandes jogos, mas não, necessariamente, um futebol arte. Inclusive, é quase unanimidade que o futebol brasileiro, pós-título de 1970, caiu em declínio técnico. O Brasil fez uma copa horrorosa em 1974, porque o que foi jogado em 1970 estava defasado para os padrões da época. E, em 1978, o Brasil montou um time, simplesmente, horripilante. Mecânico, burocrático e com Edinho na lateral-esquerda.

    Tanto é que, em 1982, o Brasil voltou a ser Brasil e por isso aquela derrota moldou não só o futebol brasileiro para pior, como moldou o futebol mundial. O próprio Brasil, em 1990, jogou com líbero, o que já era uma clara ofensa às origens do futebol brasileiro em detrimento de um esquema absolutamente incompatível com aquela Seleção e com o que se jogava no Brasil, até então.

    O cronista brasileiro, especialmente os mais antigos, tem a mania de romantizar as situações, o que pode ser ótimo para a literatura esportiva, pois cria belas crônicas, mas é péssimo para a realidade futebolística.

    O futebol, seja o de ontem ou o de hoje, tem apenas um objetivo: Vencer.

    A diferença é que, antigamente, o futebol brasileiro dispunha de mais talentos, que decidiam em jogavas individuais à base de dribles, ginga e gols. Por isso, aparentemente, dava a impressão que jogávamos um futebol arte. Não jogávamos. Nem em 1982. Era um futebol vistoso, bonito, técnico, mas que pecava em alguns detalhes.

    Não utilizarei à palavra futebol-arte, porque é exageradamente ufanista e desprovida de verdade, mas vi no futebol brasileiro, poucos times que, de fato, jogavam um grande futebol.

    O Flamengo de Zico era um grande time, mas contava com, pelo menos, 6 ou 7 muito acima da média. Leandro, Júnior, Mozer, Andrade, Adílio, Zico, Tita e Nunes, que era até discutível, mas era o artilheiro das grandes decisões. Era um time de toque de bola, de imposição técnica e que tinha no Maracanã um aliado impressionante. O técnico era o Carpegiani que provou, ao longo de sua carreira, que não é exatamente um fã do futebol-arte. Ele teve a sorte de dirigir um time com excesso de talentos.

    O São Paulo do Cilinho de 1985, que era melhor que o SPFC do Telê, tinha Oscar, Dario Pereyra, Silas, Muller, Careca, Pita e Falcão, ou seja, mais de meio time bem acima da média. Foi o time, dos que vi jogar, que melhor executou o fundamento do contra-ataque com os velozes Muller, Careca e Sidnei. Mérito do Cilinho, que gostava de futebol bem jogado.

    O São Paulo do Telê jogava um ótimo futebol, mas estava longe de ser futebol-arte. Aquele time era mais competição que arte, embora jogasse na base da técnica, do toque de bola e do contra-ataque rápido. O time campeão da Libertadores de 1992 tinha Pintado e Adílson como volantes. Isso não é arte.

    O Palmeiras do Luxemburgo, em 93 e 94, jogava na base da imposição técnica e tinha um contra-ataque mortal com Edílson e Edmundo. O time de 96 com Muller, Luizão, Djalminha e Rivaldo, marcava na frente, fazia 1×0, logo de cara e depois se impunha na base do contra-ataque com toques rápidos e, normalmente, de primeira. Muller jogou o melhor futebol de sua vida naquele time.

    Vejamos que os grandes times do futebol brasileiro tocavam a bola de primeira, na base da imposição técnica e exploravam o contra-ataque com maestria. Eram times mais técnicos que dispunham de jogadores acima da média em mais de 6 posições.

    Hoje, a discussão sobre formas de jogar caminha mais lado da preferência pessoal e clubística por este ou aquele profissional que, necessariamente, sobre se o time joga bonito ou não. Em regra, a maioria dos times joga da mesma forma.

    Não se faz omelete sem ovos, já diria Oto Glória. E, hoje, faça um exercício básico de quantos jogadores do seu time são acima da média. Faltam bons jogadores, ideias novas e uma imprensa que realmente saiba o que está falando. Fora uns 3 ou 4, que discutem a questão tática, o restante está na mídia esportiva para fazer galhofa…

    A partir do momento que cobram beleza futebolística do Corinthians de Mano Menezes e pedem a volta de Tite, qualquer outra alegação perde completamente o sentido.

    A partir do momento que comparam o SPFC com a Alemanha, percebe-se que a galhofa venceu a realidade.

    O futebol brasileiro, hoje, não tem material humano para ser nada além que competitivo da mesma forma que a nossa imprensa esportiva só tem condições de fazer análises superficiais.

    Em suma, o futebol-arte acabou se é que algum dia existiu. O futebol atual, como o do passado, tem apenas um objetivo: Vencer, vencer e vencer.

    Por derradeiro, respondendo ao questionamento do post, cito Telê, Luxemburgo, Cilinho e o Carlinhos, ex-Flamengo, como técnicos que faziam seus times jogar de forma mais plástica. Oswaldinho, aparentemente, caiu na mesmice. Aquele de 1999/2000 não existe mais. Foi tragado pelo futebol moderno, de marcação, correria e preenchimento de espaços.

    Curtido por 2 pessoas

    • 09/23/2014 16:48

      Fica evidente que é bom ser técnico com jogadores de (excelente) qualidade.
      Montar times competitivos com jogadores limitados é coisa que poucos mostraram como fazer.
      Abraços.

      Curtir

      • Cesar Augusto permalink
        09/23/2014 17:44

        O único Técnico que manteve as características do futebol vistoso, mesmo com elenco mais ou menos, foi Telê Santana, com aquele Palmeiras de 1979.

        Com time bom, até o Carpegiani…

        Curtido por 2 pessoas

  5. 09/22/2014 22:18

    Hobsbawm, no já bem conhecido A Era dos Extremos, disse que dentre as invenções deste século, o esporte de massa, o futebol, assumiu um papel especial, e o Brasil de 70 apagou as linhas delimitárias entre a arte e o esporte.
    E quão importante é isso? Qual a preocupação em estética ante a possibilidade de derrota?
    Concordo quando se diz que essa é uma preocupação brasileira, e aposto que da imprensa que ressurgiu nos anos 80, como forma de realçar uma identidade ante uma realidade de dificuldades (a gente somos inúteeeel).
    Não li tudo, mas do que li dos cronistas mais antigos, não tinham essa sede de estética, preocupava a emoção e não a impressão.
    Assim, Brasil x Itália em 82, Brasil x Argentina em 90, Brasil x Holanda em 94, Corinthians invadindo o maraca, Corinthians em 77 e tantos outros jogos nem tão bonitos, mas emocionantes, são mais lembrados que, por exemplo, Brasil x Itália em 70, ou Brasil x URSS em 82, também com suas emoções, mas exemplos estéticos em essência.
    Nelsinho em 90, meu técnico preferido.

    Curtido por 3 pessoas

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: