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Todos estão surdos

03/12/2014

Putz, tinha certeza de que hoje teríamos o novo derradeiro jogo do Timão, mas a coisa é lá para Domingo (vendo, neste momento, juizão roubar para o Barça e lembro que ninguém se lembrou da roubalheira que tem sido esse paulistão).

Mesmo perdendo, mesmo perdendo em casa, mesmo não jogando bem, eu não vi nada demolidor, pelo contrário, acho que as coisas estão fluindo na equipe e, um ano normalmente perdido, pode nos reservar boas surpresas.

O que todo corinthiano não deveria jamais esquecer é que este é um ano de reformulação, o que, por si só, já reduz a chance das grandes conquistas. Contudo, houve invasão com esgoelamento de jogador, expulsão de alguns atletas de certa relevância técnica e psicológica.

Em ano que as TOs partem para esse tipo de coisa, os resultados sempre são catastróficos.

Esse time que perdeu tem problemas visíveis e que podem ser resolvidos em poucas semanas com a volta ou recuperação de jogadores do próprio elenco. Outra parte do problema seria resolvida com contratações, mas já está ficando claro que o Itaquerão não vai permitir mais contratações enquanto não for equacionado seu modelo de sustentabilidade econômica.

Estou otimista, mas não penso em um ano de conquistas, mas de revelações. Torço pela classificação como oportunidade de aprendizado para a equipe, que vai oscilar daqui até 2015.

Pato

Partindo do problema das contratações, a cagada Pato vai me obrigar a torcer por uns 3 gols do cara hoje à noite. O time do Paulinho está com dinheiro e pode ser um destino. Uma economia e tanto para o clube.

A gente só não sabe o que o Gobbi combinou com o SPFC.

Sub-17

O time do Prof. Rodrigo Leitão meteu 5×0 no Criciúma. O que é bacana ali é ver um time sub-17 bem organizado em campo, uma baita raridade. Outra coisa: muitos jogadores habilidosos que podem saciar nossa necessidade de sangue novo no quadro principal.

Pena que eles levaram o jogo para Limeira, pois em Sampa, seria um jogo legal para levar meu filho de 5 anos.

Até o dia que seremos todos bichas

O texto do impedimento sobre o que ocorreu no Pacaembu é irretocável. Esse tipo de brincadeira, penso eu, tem de ser zerada. Não ofende o Rogério – que foi bem idiota na entrevista. Ofende a maioria dos corinthianos que são, torço eu, contra qualquer manifestação de intolerância.

Temos de começar a zerar isso aí, como reduziram, por exemplo, as piadas racistas tão comuns na minha infância e que eram contadas na presença de negros, pardos, brasileiros, amarelos e eu.  Ok, não estou dizendo que o racismo acabou ou que ninguém conta mais piada racista, mas só pedido que nossa sociedade ao menos avance um pouco na cura dessa doença chamada intolerância.

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9 Comentários leave one →
  1. Raphael permalink
    03/15/2014 18:32

    Os gritos de bixa são também reflexo da nossa sociedade fanfarrona, de alto contexto… onde “não queremos dizer tudo o que dizemos”.

    Se perguntassem a cada um dos que gritaram ali, se são contra homossexuais… a resposta da imensa maioria seria NÃO. Mas por que gritam então? Ahhh é só zueira!

    É claro que é zueira, mas não é só isso. Chamar alguém de bixa no Brasil é das maiores ofensas que uma criança aprende… e isso é cultural. Nos EUA por exemplo, chamar alguém de perdedor é uma das ofensas mais fortes. Lá eles levam a sério demais a competitividade e a meritocracia, enquanto que no Brasil ainda ofendemos alguém questionando a sua sexualidade.

    No fundo mesmo, na boa, acho uma discussão meio sem fundamento. Claro que qualquer comportamento homofóbico (ou racista ou preconceituoso) é bizarro, mas neste caso de xingamentos de torcida o contexto é tão complicado que não adianta querer mudar algo só no futebol. Passa é claro pelo esporte (lembrem do caso do jogador Michael do vôlei, com [ironia] se bem que no vôlei não tem defesa[/ironia]), mas também pela cultura brasileira… e uma mudança dessas seria tão radical que o resultado seria algo como um outro país, talvez mais frio e sério.

    Por exemplo: na Alemanha esta semana teve um caso pontual da torcida do Bayern. A diferença é que não era a torcida inteira “ofendendo” o Özil, mas dois ou três manés. A maioria da torcida não ia gritar “Özil bixa” porque quando eles falam, geralmente querem dizer de fato o que dizem. No Brasil a galera berra junto e depois pensa “ahhhh era só zueira pô!” (até que encontrem a vítima errada)

    E só para concluir: no meio do bando tinha sim um monte de intolerantes, que devem ser os mesmos que invadem CT, jogam bomba na torcida adversária, esgoelam jogador e outras bandidagens mais. Aí entra o problema da educação precária e impunidade… é tudo inter-ligado pô.

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  2. 03/14/2014 20:28

    De uns tempos para cá, já não digo termos como ‘bambi’, ou ‘bicha’. São realmente ofensivos. São palavras que matam.
    Porém, no dia do jogo, chamei o SPFC de ‘time da madame’, e fui linchado por isso. Para mim, na expressão, é claro o corte de classe social. Estou apontando a origem ‘nobre’ do rival.
    Fiquei nervoso e encucado. O que vcs acham?

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    • 03/14/2014 20:34

      Eu também gosto dessa pela crítica social bem sutil. Mas vai um pouco pelo meu nível de ogridão de não ver onde estaria o problema.

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      • 03/15/2014 13:33

        É esse o debate que eu gostaria de propor. Há lugares comuns na esquerda e no politicamente correto que simplesmente ignoram contextos e situações de uso. O mundo tem arestas. A linguagem também.
        No mais, fiquei com vergonha da torcida gritando ‘bicha’ descaradamente.

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  3. Morgana permalink
    03/13/2014 20:49

    Trivela também tem um texto muito bom.
    ‘Por que “bicha” é xingamento?’
    http://trivela.uol.com.br/por-que-bicha-e-xingamento/

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  4. 03/13/2014 15:17

    Não concordo com nenhum dos pontos do texto e muito menos com os comentários dos colegas abaixo. Todos uns petralhas, tucanos, vendidos. Intolerante é a mãe de todos vocês. E, se eu estivesse no twitter, bloqueava todos vocês agora.

    🙂

    Esse é o mundo de hoje.

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  5. 03/13/2014 14:06

    Também concordo com o texto do “impedimento”.

    E com o nosso caro Cesar Augusto.

    Apesar de alguns colegas blogueiros, que mantém suas perspectivas abertas, estarem começando a se enveredar no contexto de feminilizar o SP.

    Para quem quer entender o mundo, compreender que a capacidade de diferenciação é infinita nos faz mais humanos. Isso sem perder a identidade pessoal e do grupo.

    Por esse motivo encontrar colegas torcedores de outros times nos leva apenas a saudáveis brincadeiras, onde estipulamos limites, conhecemos o terreno até onde ir.

    E assim também é com outras características de colegas como cor, gênero e diferenciação sexual. Há o limite do saudável, pois que reprimir suas próprias peculiaridades é algo que dói, o limite é sempre o da tentativa de manifestar opressão, pura violência disfarçada..

    Por isso não entro nessa de feminilizar o SP, já que as mulheres não são subalternas, os homossexuais também não, e tais atitudes revelam além da evidente ignorância, sementes da violência que vivemos.

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  6. Cesar Augusto permalink
    03/13/2014 12:06

    Por incrível que pareça, hoje, somos mais intolerantes. E esta intolerância não é exatamente de caráter homofóbico ou de etnia. Vivemos uma época de intolerância de opiniões, ações, comportamentos. Não suportamos o diferente sob nenhuma análise.

    Quando digo “somos” me refiro, obviamente, à sociedade.

    O Racismo é odioso e está enraizado na nossa cultura. Hoje é crime, pode gerar indenizações na esfera cível, mas não evoluímos ao ponto de estancá-lo de nossa sociedade.

    Em sociedades, em tese, mais evoluídas que a brasileira, o racismo, ainda, é contumaz.

    Os negros são mais afetados em relação ao racismo, em razão de um passado odioso de submissão e escravidão. Mas eu já vi, racismo contra branco praticado por negro. Eu já vi preconceito social de negro contra branco na base de um revanchismo que os iguala a quem escravizou seus ancestrais. Não é na base do revanchismo que resolveremos as nossas pendências históricas.

    Mais comum que o racismo em si é o preconceito social. Os valores morais e éticos protagonizados por nossa sociedade são lamentáveis. Vivemos na época da ostentação e do consumismo, que eleva o verbo “ter” em detrimento do verbo “ser”. Não tenho dúvidas que formamos, atualmente, pessoas muito mais capazes profissionalmente que no passado, porém formamos pessoas muito menos humanas, porque, de fato, os valores da sociedade são outros.

    Os gritos contra Rogério Ceni foi uma provocação usual no meio do futebol, coisa que nunca acabará. Da mesma forma que os adversários chamam os corintianos de marginais, ladrões, desdentados, analfabetos, lixos entre outros termos pejorativos e preconceituosos, a torcida do Corinthians se defende atacando a suposta “viadagem” do clube leonor e de seus atletas, em especial, Rogério Ceni, ícone do SPFC, em tudo que o clube tem de bom e de desprezível.

    Não é edificante tratar um adversário com um termo homofóbico, mas nada mais é que uma resposta às ofensas sofridas.

    Faz e fará parte do jogo até o fim dos tempos.

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